Precisamos Falar Sobre Violência Obstétrica

May 23, 08:50 PM
O Ministério da Saúde emitiu um comunicado, no início do mês, orientando para que se fosse evitado e possivelmente abolido o termo "violência obstétrica" em documentos de políticas públicas. Uma canetada, claro, não faz com que a violência contra a gestante deixe de existir - e é também por isso que eu decidi que esse seria o assunto da semana no Ih, Rita! Segue o fio.

Uma servidora pública de 32 anos, mãe do Pedrinho, de 4 anos, me conta como foi extremamente desrespeitada desde o momento em que pisou na maternidade. Ficou sozinha passando de sala em sala, sentindo dor, sem o companheiro. E quando pediu anestesia ouviu que "tinha que aguentar a dor", já que tinha escolhido o parto normal. 

Também conversamos com Priscila Cavalcanti, advogada e uma das fundadoras da Artemis, primeira organização civil do Brasil com foco no combate à violência obstétrica. Priscila afirma que a Justiça ainda tem dificuldades em acatar as reclamações feitas pelas mulheres, porque parte daquele princípio de que se o bebê nasceu bem, então tá tudo bem.

Entrevisto, ainda, o obstetra Braulio Zorzella, membro da Reuna, Rede de Humanização do Parto e do Nascimento. O médico conta que as mulheres negras são as maiores vítimas da violência obstétrica. O sistema de saúde tende a negar analgesia às mães negras, por acreditar que são "mais resistentes à dor". 

No Ih, Rita dessa semana, em todas as plataformas.